INSTITUTO CULTURAL RAÍZES

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sábado, 14 de janeiro de 2017

Instituto Raízes - um trabalho pioneiro e inovador

Libânio Neto, Fundador e Presidente do Instituto Raízes

Dando continuidade a entrevista com o nosso Fundador e Diretor Presidente, Libânio Neto, os temas abordados agora serão o caráter pioneiro e inovador do trabalho realizado pelo Instituto, os desafios e as conquistas.



Pioneirismo e Inovação

Porque caracterizar essa atuação do Instituto como algo pioneiro e inovador?
Libânio Neto: Temos dito em várias oportunidades que o trabalho que fazemos é pioneiro pelo fato de que fomos nós a iniciar uma experiência permanente, cotidiana e concreta, coisas que antes não havia em Floresta e região. Somos referência em Cultura Popular e sobretudo em Cultura Afrobrasileira. Não tem outro trabalho semelhante em toda a região do sertão de itaparica.
Dizemos também que é inovador pelo fato de que estamos trazendo a vivência de tradições culturais que estavam abandonadas ou desconhecidas por muita gente. 

Público participante

Quantas crianças e adolescentes participam atualmente dos projetos em Floresta?
Libânio Neto: Temos atendido de forma permanente (nas oficinas que realizamos) uma média de 50 crianças, adolescentes e jovens remanescentes quilombolas e indígenas que residem no bairro do vulcão, santa rosa, cohab e caetano. Em novembro de 2016, chegamos a reunir cerca de 80 crianças, adolescentes e jovens na celebração da Consciência Negra.

Ritmos trabalhados

Quais os ritmos que são trabalhados nas oficinas?
Libânio Neto: Trabalhamos (nas danças e também percussão) os ritmos que são de origem afro-brasileira e indígena, e os ritmos que celebram a mistura entre o negro e o índio, os quais são: capoeira, maculelê, afoxé, maracatu, coco de roda, samba de roda, mazurca, caboclinho, ciranda, xaxado e danças africanas. De todos os que tem maior ênfase são o Maracatu de Baque Virado, o Afoxé e o Coco de Roda.

Grupos Culturais mantidos pelo Instituto

Quais os grupos mantidos pelo Instituto Raízes?
Libânio Neto: Temos dois grupos percussivos com um bom tempo de caminhada. O Maracatu Afrobatuque que foi criado em 2011 e trabalha o ritmo do Maracatu de Baque Virado e o Filhos de N’Zambi, criado em 2012, que trabalha o ritmo do Afoxé. Além destes, estamos criando o Grupo Sou da Terra, que reúne os ritmos do Maracatu, Afoxé, Coco, entre outros. Temos também o Grupo Dandara (grupo de danças afroindígena), o qual foi o primeiro grupo criado pelo Instituto em Floresta, no ano de 2010.

Metodologia

Qual a metodologia adotada no trabalho?

Libânio Neto: Adotamos uma metodologia participativa, que estimula a capacidade e o potencial dos(as) integrantes, vinculando o aprendizado às raízes históricas afrobrasileira e indígena. Buscamos estabelecer, através do diálogo permanente, uma relação entre o aprendizado cultural e a formação para a cidadania, consistindo sobretudo, em regras de participação, obrigatoriedade de estar frequentando à escola (se está em idade escolar), formas adequadas de comportamento pessoal e social e em especial nas relações interpessoais entre a família e os demais participantes, na perspectiva de estimular a superação de limites e o desenvolvimento da personalidade.
Também trabalhamos a necessidade de se encarar as atividades com compromisso e responsabilidade, além do respeito necessário a simbologia e aos fundamentos de cada tradição cultural que vivenciamos.
Produzimos um espaço de convivência, de aceitação do(a) outro(a), eliminando qualquer forma de preconceito, despertando para a elevação da autoestima e para a busca de realizações positivas em suas vidas.

Dificuldades

Qual é a maior dificuldade enfrentada?
Libânio Neto: Quanto as dificuldades, podemos separar em duas. A primeira são as dificuldades internas no diálogo com os participantes, sobretudo pré adolescentes e adolescentes. Esses(as) chegam com todos os vícios sociais ou comportamentais vindos de relações interpessoais e familiares deterioradas, daí se produz um choque com a nova realidade: disciplina, não aceitação de preconceitos, obrigações, distribuição de tarefas e regras que são aplicadas, inclusive com suspensões e afastamentos. Somado a isso ainda tem o que de ruim a cultura de massa produz na cabeça das pessoas, tornando sempre mais difícil a compreensão da mensagem principal que buscamos transmitir.
A segunda dificuldade, é a falta de apoio estrutural de vários setores que formam a sociedade, em especial os poderes públicos e certos seguimentos mais abastados financeiramente, que não dispõe qualquer ajuda nesse sentido. Recebemos muitos elogios quanto ao trabalho, más ninguém se dispõe a ajudar.

Preconceito

Este trabalho já sofreu algum tipo de preconceito?
Libânio Neto: Já presenciamos várias reações preconceituosas, sobretudo em relação ao Afoxé e no Maracatu, quando cantamos para os Orixás. Neste sentido, nossa reação foi continuar tocando, cantando e dançando, porque o que fazemos é em nome de todos os nossos antepassados que sofreram com a escravidão, a perseguição, os maus tratos e toda uma imensa carga de preconceito e discriminação e, em honra ao nome e a história que eles construíram, não podemos nos abalar. Quando estamos nas ruas percebemos alguns olhares de reprovação. Já chegaram a me perguntar por que trazer o maracatu pra Floresta e busco explicar o que abordei anteriormente em relação ao significado histórico. Perguntam sobre o Afoxé, se somos do Candomblé, entre outras perguntas mais.
Procuramos mostrar que trabalhamos com o resgate e a preservação das origens e tradições do povo negro e do índio, então o Afoxé como o Toré (para os indígenas) são expressões de tradições culturais que tem seu perfil religioso sim. No entanto, não dizemos a nenhuma criança, adolescente ou jovem, nem tampouco a seus pais e mães, que religião deve seguir. O que não podemos é negar que a religiosidade esteja presente na cultura. O que queremos é que eles e elas (meninos e meninas) tenham consciência que quando tocam o maracatu ou o afoxé estão mantendo uma ligação profunda com seus ancestrais e antepassados e à força (o Axé) e a paz que são produzidos nos toques/baques e nas cantigas/loas são de exaltação às nossas raízes humanas e à nossa cultura. Isso boa parte já entende e o que mais importa é que estamos tocando, cantando e dançando pra resgatar valores humanos e sociais, bem como reatar os laços culturais muitas vezes rompidos.
Hoje em dia, muita gente que olhava atravessado, tem opinião diferente e até mesmo elogia, porque estamos levando uma formação de vida para diversas crianças, adolescentes e jovens. 

Resultados alcançados

Quais resultados positivos foram alcançados?
Libânio Neto: Em pouco mais de 6 anos de trabalho, registramos vários resultados positivos. Várias crianças e pré-adolescentes que entraram no projeto, mudaram de atitude diante da vida, desenvolveram sua auto-estima e o orgulho em ser da comunidade em que vive, de ser afrobrasileiro(a).
A comunidade do Vulcão mudou seu perfil, observamos hoje uma redução de vários índices anteriormente negativos, temos uma participação de uma maioria absoluta das crianças e pré-adolescentes, que nos motiva a seguir em frente.
Nosso trabalho é uma realidade concreta, não é "um projeto que pode dar certo", é um conjunto de ações que deram certo e mostraram que é possível transformar realidades, quando se une dedicação, vontade de fazer, responsabilidade e amor à capacidade de superação existente nas pessoas.
Não é só uma ocupação do tempo livre, é formação cidadã, é resgate da autoestima, é valorização humana. É uma oportunidade para construírem um presente e um futuro melhor. Por fim, o que podemos afirmar é que estamos promovendo a construção de perspectivas de vida diferentes, estamos promovendo verdadeiramente uma cultura de paz, através da música, da dança e de uma formação cidadã.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Instituto Raízes avalia atuação em Floresta e região

Libânio Neto, Fundador e Presidente do Instituto Raízes

Iniciando o ano de 2017, o Instituto Cultural Raízes realiza uma avaliação completa sobre a atuação nos últimos 7 anos em Floresta e região.

Nesse processo de avaliação, nosso site irá ouvir várias pessoas que se destacam nessa caminhada do Instituto Raízes, iniciando pelo nosso Fundador e Diretor Presidente, Libânio Neto. 

A entrevista está divida em duas partes. Na primeira, Libânio Neto fala do surgimento do Instituto, dos seus objetivos, de como se mantém a ONG e qual é o trabalho desenvolvido em Floresta e região.

O surgimento do Instituto Raízes

O que é o Instituto Cultural Raízes?
Libânio Neto: O Instituto Cultural Raízes é uma organização não-governamental, formada com caráter de associação civil de direito privado e sem fins lucrativos. Totalmente legalizada, com registro em cartório e funcionamento efetivo e permanente.

Como surgiu o Instituto Cultural Raízes?
Libânio Neto: O Instituto Cultural Raízes é o resultado de um trabalho que havíamos iniciado na zona da mata sul de Pernambuco e mais especialmente no município de Água Preta no período de 2001 a 2006. A partir de 2007, passamos a desenvolver várias experiências no sertão pernambucano, até chegar a Floresta e região de Itaparica.

Há quanto tempo o Instituto Cultural Raízes atua em Floresta?
Libânio Neto: Na verdade, atuamos em Floresta desde agosto de 2009. E já em 2010 instalamos a sede aqui no município, após avaliarmos o potencial multicultural existente na região.

Objetivos do Instituto Raízes

Quais são os objetivos do Instituto?
Libânio Neto: Nosso principal objetivo é promover o resgate e a valorização das tradições culturais afrobrasileiras e indígenas e, para tanto desenvolvemos uma série de atividades, ações e projetos, conforme estabelece os Estatutos Sociais da entidade.

O trabalho desenvolvido em Floresta

Qual é o trabalho desenvolvido pelo Instituto em Floresta?
Libânio Neto: Iniciamos com a realização de um levantamento cultural e depois a realização da 1ª Semana da Consciência Negra e um documentário realizado por ocasião do Festival Pernambuco Nação Cultural em novembro de 2009. A partir daí concentramos nossa atuação no resgate e preservação das tradições culturais do povo florestano, vinculado à cultura popular do sertão e do estado.
Atuamos também na assessoria em Floresta e em outros municípios para a realização de Conferências de Cultura, bem como na elaboração de projetos para grupos de jovens e entidades organizadas.
Posteriormente, iniciamos um trabalho para a organização das comunidades quilombolas, que acabou se expandindo e tomando grandes proporções.

Atividades mais destacadas

Neste período de quase 7 anos quais os trabalhos que mais se destacaram?
Libânio Neto: Em primeiro lugar o trabalho que realizamos junto às comunidades quilombolas que resultou na publicação de um livro, produção de documentário e na criação de diversos grupos culturais como a Banda de Pífano, Grupo de Dança da Mazurca, Grupo Flor do Pajeú composto de crianças quilombolas, entre outras ações que foram desenvolvidas visando o resgate dos elementos históricos e tradicionais e a organização formal das comunidades através da criação de associações.
Além disto, realizamos cinco Encontros de Tradições Culturais nas Comunidades Rurais de Floresta, onde destacamos o Forró Pé-de-Serra, a dança do São Gonçalo, a capoeira, maculelê, caboclinho, ciranda, coco de roda, afoxé e maracatu, que são tradições das culturas negra e indígena, além de expressões de nossa cultura popular.
Por fim investimentos na formação de grupos culturais compostos de crianças, adolescentes e jovens, onde neste período criamos cinco grupos culturais, dos quais dois permanecem atuantes até hoje, que são o Maracatu Afrobatuque e o Afoxé Filhos de N’Zambi.
É também marca de nosso trabalho a realização de oficinas permanentes de percussão, danças, artesanato, pintura em tela, violão, capoeira, entre outras, cujo público preferencial tem sido às crianças, adolescentes, jovens e remanescentes quilombolas e indígenas.
Destaca-se sobretudo nos últimos anos o trabalho realizado na Comunidade do Bairro do Vulcão em Floresta, onde foi possível promover uma completa inclusão social e formação para cidadania, que deu resultados positivos.

Onde mais atua o Instituto Raízes

O Instituto atua somente em Floresta?
Libânio Neto: Não. No nosso estatuto está estabelecido que podemos atuar em qualquer outro município de Pernambuco, muito embora nossa prioridade seja Floresta e região.
Em 2009, antes de iniciarmos o trabalho em Floresta já vínhamos realizando atividades nos municípios de Mirandiba e Belém do São Francisco e atualmente nossa atuação tem se feito presente em vários municípios da região e de outras microregiões do sertão pernambucano, seja com oficinas, palestras, seminários e fóruns, seja com apresentações culturais.
Já em 2014 realizamos (em parceria com a Escola Estadual Maria Emília Cantarelli) o Projeto Mais Cultura nas Escolas em Belém do São Francisco, o qual foi concluído satisfatoriamente no final de 2016.

A manutenção do Instituto Raízes

Como se mantém o Instituto do ponto de vista financeiro?
Libânio Neto: A nossa manutenção é proveniente de contratos para oficinas, projetos, cachês de apresentações culturais, prestações de serviços que temos realizado em Floresta e em vários outros municípios do sertão. Outras formas tem sido doações, parcerias (especialmente com o Instituto da Juventude) e, a venda de materiais de divulgação, tais como: camisas, cd’s, dvd’s e livros.

Como é a aplicação desses recursos?
Libânio Neto: Os recursos são aplicados integralmente nas atividades para os quais são destinados. Se é proveniente de um contrato para prestação de serviços ou de um Projeto, às despesas são de locomoção, combustível, pagamento de oficineiros, compra de material de apoio, produção de material didático e aquisição de instrumentos.
Já os recursos provenientes de parcerias, apresentações, doações e vendagem de material, são aplicados em ajudas de custo/gratificações para os componentes dos grupos principais, apoio sócio-educativo aos(as) participantes, manutenção dos instrumentos, aluguel da sede e manutenção da mesma e na estruturação da entidade.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Lei 10.639/03


Neste dia 09 de janeiro de 2017, completa-se 14 anos da criação da Lei 10.639/03, que estabelece a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afrobrasileira, onde deve-se abordar o estudo da África e dos africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação de nossa sociedade, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica, política e cultural, pertinentes à História do Brasil.

A lei também estabelece que o ensino é obrigatório em todas as escolas de ensino fundamental e médio, das redes pública e privada, cujo conteúdo deve ser trabalhado em todo o currículo escolar, especialmente, nas áreas de Educação Artística, Literatura e História Brasileira.

Outro fator de grande importância é que a Lei também estabelece o dia 20 de novembro, como DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA, em homenagem a Zumbi dos Palmares, como símbolo maior dos negros em suas lutas por libertação da escravidão e por conquistas sociais.

Posteriormente, em 10 de março de 2008, foi promulgada a Lei 11.645, que amplia também para o ensino da cultura indígena, destacando à contribuição dos povos indígenas na formação de nossa sociedade.

Ambas leis, tem uma imensa importância no processo de resgate histórico das tradições dos povos afrobrasileiros e indígenas, e são ações afirmativas concretas no sentido de combater e eliminar o preconceito e a discriminação racial, existentes em nosso país.

Lamentavelmente, (à exemplo de outras leis brasileiras que beneficiariam os setores sociais marginalizados e excluídos) a maioria das escolas públicas e quase a totalidade das escolas particulares não cumprem a lei, seja pela falta de preparo de professores, seja por falta de conhecimento, ou ainda por total falta de interesse.

Se faz necessário ações concretas que envolvam os segmentos governamentais no sentido de fazer valer a lei e, principalmente dos seguimentos sociais e educacionais, de promoverem uma mobilização e somatório de esforços e conhecimentos, no sentido de colocar em prática nas escolas, de forma ampla e total o ensino da história e cultura afrobrasileira e indígena. 

sábado, 7 de janeiro de 2017

Datas Históricas - A Cabanagem


Os Cabanos Tomam o poder no Pará - 1834 a 1839: A Cabanagem

A luta pela independência contou, no Pará, com uma grande participação popular. Depois da independência veio a decepção. As mudanças prometidas não se realizavam. O povo lutou por melhores condições de vida, menos impostos e mais liberdade. Nada disso acontecia. A saída foi a rebelião.
No dia 6 de janeiro de 1845, depois de muitas lutas no campo, os cabanos ocupam a cidade de Belém, capital do Pará. Foi a única revolução popular que chegou a governar uma província naquela época.
Foi preciso vir reforço do governo central para acabar com o governo dos cabanos. Derrotados na capital, se refugiaram nos campos e aldeias, onde resistiram até 1939. Só o incêndio, a destruição e o massacre de populações inteiras, foram capazes de abafar essa Revolução Popular.
O nome de cabano vem do fato de viverem em cabanas.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Forum - Africanidades em Nós


Fruto da parceria entre a Escola Estadual Maria Emília Cantarelli de Belém do São Francisco, o Instituto Cultural Raízes, Capes e Pibid, foi realizado no último dia 24 do corrente mês o 1º Forum AFRICANIDADES EM NÓS.

O evento contou com a participação de um público em torno de 300 pessoas, entre professores de história e artes, bem como estudantes do normal médio da Emec e alunos participantes das oficinas do Programa Mais Cultura nas Escolas, além de convidados, contando ainda com a parceria do Profº João Di Carvalho, através da A PRODUTORA Áudio e Vídeo, que garantiu toda a estrutura de som e o registro do início das atividades.

A iniciativa é pioneira e faz parte das ações do Programa Mais Cultura nas Escolas, que é executado desde 2014 na Emec em parceria com o Instituto Cultural Raízes, a qual é a única Escola em todo o Sertão de Itaparica a ter obtido a aprovação do Projeto.

A programação foi concebida após amplo diálogo realizado entre a equipe gestora da Emec, professores de história e artes da escola e o Instituto Cultural Raízes, no sentido de iniciar nesse ano de 2016 a implementação das Leis 10.639/2003 e 11.645/2008, que tratam da obrigatoriedade do estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena, nos estabelecimentos de ensino público e privado.

O Forum teve como tema DIÁLOGOS E DIVERSIDADE PARA CONSTRUÇÃO DA IGUALDADE ÉTNICO-RACIAL, contendo a seguinte programação:
09:00h - Abertura, realizada pela Gestora Profª Célia Barros e pelo Vice Gestor da Emec, Profº Evanilson Maia.
09:15h - Apresentação do Grupo Afoxé Filhos de N'Zambi, do Instituto Cultural Raízes;.
10:00h - Palestra sobre A Importância do Resgate das Tradições Afrobrasileiras e das Ações Afirmativas, realizada por Libânio Neto, Diretor Presidente do Instituto Cultural Raízes.
11:00h - Palestra sobre a História da África, realizada pela Profª Geyza Alves da Cesvasf.
14:30h - Roda de Diálogo com jovens do Instituto Cultural Raízes, com mediação do Profº Evanilson Maia.
15:30h - Oficinas:
             - Percussão; 
             - Danças Africanas;
             - Capoeira;
             - Lendas Africanas;
             - Máscaras Africanas;
             - Estética Afro.
16:40h - Socialização das Oficinas e Encerramento.

Na avaliação da equipe organizadora, o Forum atingiu seu objetivo, contando com a participação ativa de todos(as) atores envolvidos e, especialmente dos jovens presentes, deixando um exemplo positivo para as atividades futuras.

quinta-feira, 31 de março de 2016

Breve História da África



A historiografia sobre a África, ainda que em bom número, tem pouca contribuição de historiadores africanos. Os poucos que trabalham nesse sentido foram formados em universidades européias, tendo herdado uma tradição que os fazem ver a história de seus países de fora para dentro. A cultura africana é sem dúvida propagada muito mais oralmente. O principal meio de comunicação no continente ainda é o rádio.
A história da África pode ser dividida em três grandes fases:
1.    Interesse do oriente no comércio com os grandes reinos africanos.
2.    A África volta-se para o ocidente a partir do século XV.
3.    A descolonização africana.  Fase em que o continente ainda se encontra. Uma coisa é certa, não se pode falar em cultura africana, mas em culturas múltiplas. Após as saídas das nações européias e as proclamações de independência, não foram resolvidos os antigos conflitos. O pluralismo é muito grande, são muitas etnias em disputa no mesmo espaço político. Sem dúvida as dificuldades em se constituir estados nacionais são tremendas. Alguns países imediatamente após a independência envolveram-se em guerras civis. Já outros deixaram as pendências conflituosas para resolver posteriormente. Tudo isso fez da África um barril de pólvora.
Até o século VII os reinos africanos não tiveram contato com outros povos. A partir desse momento, entretanto, os árabes os alcançam, trazendo consigo o islamismo, e o comércio. Três grandes reinos se desenvolveram na África: Ghana, Mali e Songhai. O último assumiu o califado do Sudão. Após aderirem ao Islã – embora as religiões de adoração aos elementos da natureza ainda persistissem (certo sincretismo é notável) – o comércio com o oriente intensifica-se mais ainda, tendo a África vivido um período de relativa prosperidade. Os principais itens comercializados eram o marfim, a noz de cola e os escravos – provenientes dos africanos – os quais eram trocados por tecidos, cobre e pérolas.
O REINO DE GANA
O Ghana foi provavelmente fundado durante o século IV de nossa era. Entretanto, foi somente no século VII que o reino ganhou representatividade, principalmente devido a suas minas de ouro, fato que chamou a atenção dos árabes.
Quando o comércio com os árabes se intensificou, Ghana instituiu um responsável, uma espécie de ministro do comércio, para controlar, através de taxas, as operações de importação e exportação. O Estado era mantido através de um eficiente sistema de cobrança de impostos localizados nos principais entrepostos comerciais de um território não muito bem definido. A organização do reino de Ghana era notável, havia subdivisões de governo, com certa autonomia, espécie de províncias, politicamente organizados ao longo do rio Senegal e Niger. As principais atividades eram a agricultura, a mineração, a pecuária e o comércio com os árabes. Ghana foi-se mantendo sob o governo dos berberes e dos muçulmanos até 1240 quando o rei do Mali, Sundiata Keita, acabou por conquistá-lo.
O REINO DE MALI
O Império Mali foi um estado da África Ocidental, perto do rio Níger, que dominou esta região nos séculos XIII e XIV. De três impérios consecutivos, este foi o mais extenso territorialmente, comparado com o de Songhai e do Gana. O império alcançou o auge no início do século XIV, durante o governo de Mansa Musa, que se converteu ao Islã. Mali controlava as rotas comerciais transaarianas da costa sul ao norte.
Em sua peregrinação a Meca, esse soberano fez-se acompanhar de uma comitiva com 15 mil servos, cem camelos e expressiva quantidade de ouro. Em seu retorno, determinou a construção de escolas islâmicas na capital, a cidade de Tombuctu, que de próspero centro comercial, tornou-se também um centro de estudos religiosos. Mali tornou-se famoso devido à imensa riqueza obtida através do comércio com o mundo árabe.
No início do século XV, o Império do Mali começou a declinar.
O REINO DE SONGHAI
Do início do século XV até o final do XVI, Songhai foi um dos maiores impérios africanos da história. Este império tinha o mesmo nome de seu grupo étnico líder, os Songhai. Sua capital era a cidade de Gao, onde um pequeno estado Songhai já existia desde o século XI. Sua base de poder era sobre a volta do rio Níger.
Em 1325, quando Mansa Musa volta de sua peregrinação à Meca, submete pelas armas o reino de Songhai à dominação Mali. Os príncipes de Songhai são levados à corte de Mali. Entretanto um deles consegue fugir e, em 1355, reestabelece o reino de Songhai com a dinastia dos Sonnis, que contou com 17 soberanos até 1464. O império de Songhai, porém, só foi constituído durante o reinado de Sonni Ali, o último dos 17 soberanos. Sonni Ali não era religioso, embatia-se com os muçulmanos. Dentre suas conquistas estão todas as cidades às margens do rio Níger com sua frota de navios. Como que por ironia acabou morrendo afogado no próprio rio Níger, em 1492, sem deixar descendência.
Em 1493 assume o poder o general Askia Mohamed, fiel muçulmano. O novo soberano teve grande preocupação em combater o analfabetismo, a fim de que as pessoas pudessem ler o alcorão. Também criou um exército efetivo, em sua maioria composto por prisioneiros e escravos, cujo chefe era seu irmão Omar Mohamed. Em 1497 realizou uma peregrinação à Meca numa comitiva de 1500 homens, incluindo os sábios do reino (médicos, matemáticos, homens de ciência e letras), a fim de que tudo observassem no caminho para trazer melhorias para Songhai.
Askia Mohamed foi então nomeado pelas autoridades do Islã como califa do Sudão, com o objetivo de fazer frente à crescente influência do cristianismo vinda dos países europeus. Coube ainda a esse soberano unificar o sistema de pesagem do reino, a criação de um sistema bancário e de financiamento e reformas no campo da educação – com a criação de escolas superiores, e da universidade de Sankoré, de orientação laica. Seu filho mais velho acabou dividindo o país em guerras civis e depondo seu pai.
Devido ao controle econômico exercido por Songhai, entre outros produtos, do ouro produzido no Sudão ocidental, do sal, artigo de grande importância no deserto, e dos escravos, cuja procura era constante nos territórios islâmicos, o império de Songhai acabou destruído pelo Marrocos em 1591.
SOBRE OS MISSIONÁRIOS EUROPEUS NA ÁFRICA
A partir de 1830 diversos missionários, fundamentalmente ingleses, adentraram o continente africano – principalmente Libéria, Costa do Ouro e Nigéria – num esforço de evangelização dos povos. Eram anglicanos, metodistas, batistas e presbiterianos. Também alguns luteranos e calvinistas alemães, a serviço da sociedade missionária de Londres, se dirigiram para as cercanias da fronteira do Cabo. Trabalharam junto aos povos Khoins e Tsuana – ao norte do rio Orange. Mais tarde, quando a colônia do Cabo expandiu-se para o leste e Natal foi anexada, missionários de diversas ordens se deslocaram da Alemanha, Inglaterra, França, Holanda, Suécia e EUA, para a África Meridional.
Merece destaque as missões da região dos lagos, entre 1860 e 1880, que tinham o objetivo de estabelecer unidades-modelo para instruir a população livre no cultivo dos produtos de exploração. Essa era uma das características desses missionários: eram abolicionistas, e a favor do trabalho assalariado, de acordo com o Congresso de Viena.
Pelo lado católico, merece destaque os missionários liderados pelo vigário Daniel Camboni, criador da obra pela propagação da fé; mais tarde Camboni se tornaria bispo da África Central. Ele defendia a regeneração da África pela própria África, a partir de seus próprios esforços, sem intervenção política das metrópoles.
Tanto a evangelização católica como protestante tinham três pontos em comum:
1.    Levar os africanos não somente a conversão ao cristianismo, mas à apreensão do conjunto de valores da civilização ocidental.
2.    Ensinar a divisão/separação entre a esfera espiritual e secular, posição diretamente oposta às crenças africanas animistas que criam na natureza.
3.    Minimizar a influência das autoridades locais, a fim de que o povo abandonasse seus ritos sagrados, muitas vezes ligados a posição dos reis ou chefes.
É certo que o empreendimento dos missionários encontrou resistência. Por vezes havia forças em sentido contrário, que acabavam desenvolvendo certo sincretismo.

quarta-feira, 30 de março de 2016

História Geral da África


Em 1964, a UNESCO dava início a uma tarefa sem precedentes: contar a história da África a partir da perspectiva dos próprios africanos. Mostrar ao mundo, por exemplo, que diversas técnicas e tecnologias hoje utilizadas são originárias do continente, bem como provar que a região era constituída por sociedades organizadas, e não por tribos, como se costuma pensar. 

Quase 30 anos depois, 350 cientistas coordenados por um comitê formado por 39 especialistas, dois terços deles africanos, completaram o desafio de reconstruir a historiografia africana livre de estereótipos e do olhar estrangeiro. Estavam completas as quase dez mil páginas dos oito volumes da Coleção História Geral da África, editada em inglês, francês e árabe entres as décadas de 1980 e 1990. 

Além de apresentar uma visão de dentro do continente, a obra cumpre a função de mostrar à sociedade que a história africana não se resume ao tráfico de escravos e à pobreza. Para disseminar entre a população brasileira esse novo olhar sobre o continente, a UNESCO no Brasil, em parceria com a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação (SECAD/MEC) e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), viabilizaram a edição completa em português da Coleção, considerada até hoje a principal obra de referência sobre o assunto. 

O objetivo da iniciativa é  preencher uma lacuna na formação brasileira a respeito do legado do continente para a própria identidade nacional.

O Brasil e outros países de língua portuguesa têm agora a oportunidade de conhecer a Coleção História Geral da África em português. A coleção foi lançada em solenidade, em Brasília, com a presença dos ministros de Educação e Cultura.

Click AQUI e tenha acesso ao site para fazer o download.